10-BANNER-12Recuperado

Livramento: 60 anos de emancipação diária

“Livramento cidade maravilhosa, o povo goza de sua hospitalidade/Não tem idade pra gostar de Livramento…Meu amigo, é um tormento morar em outra cidade”. Assim, diz um trecho da letra da música “Livramento”, composição dos filhos da terra Paulo Adriano e Mercinho do Acordeon.

Como a arte é capaz de transcender o que sentimos, esse pequeno trecho dessa música, já poderíamos encerrar por aqui as nossas homenagens…Mas, Livramento continua encantando sua gente e seus visitantes: na cultura, no esporte, no clima, na religiosidade, nas festas, nas conversas de esquinas em tantos outros aspectos do cotidiano.

A nossa história é cheia de histórias: principalmente hoje neste dia “13 de dezembro de 2022”, que marca uma história da emancipação política, ou seja, um processo que vivemos a cada dia.    

Para uma melhor compreensão, tudo começa com Jose Marinheiro de Brito, em  1913, quando foi erguida uma capela no local dedicada a Nossa Senhora do Livramento, hoje padroeira da cidade. A primeira missa estar datada em 24 de dezembro de 1914.

Uns anos mais tarde, começamos nosso processo de emancipação política. Colocar no papel, aquilo que os filhos da terra queriam: liberdade. O território de Livramento, pertencia a época a Batalhão, o atual município de Taperoá.

Quando pesquisamos Emancipações dos Municípios, no Portal da Assembleia Legislativa da Paraíba, nos deparamos com a   Lei 2625 de 20 de dezembro de 1961, referindo-se à emancipação Política de Livramento.  

Até ai tudo bem! Mas, de fato Livramento tornou-se  município emancipado em 11 de novembro de 1962. Daí por diante registrando, o seu primeiro prefeito Clóvis Leite de Almeida. 

Para a professora de História Gracinha Brito, que se dedicou a pesquisar na Comarca de Taperoá, nos conta com detalhes sobre duas datas.

“Quando eu fiz a pesquisa, encontrei essas duas datas. 11 de novembro 1962, foi exatamente o dia que o Governador Pedro Gondin, assinou a emancipação.  Em 15 dezembro de 1962, começou a funcionar como cidade. Clóvis Leite, eleito escolhido prefeito. Não havia a Câmara Municipal ainda formada. Sendo Dona Laura, a primeira mulher no Cariri paraibano presidente do Poder Legislativo”, explicou a professora/pesquisadora Gracinha Brito.  

Para tanto, estamos culturalmente acostumados a comemorar nossa emancipação em 15 de dezembro, a prova disso são as comemorações registradas por governos municipais. A exemplo, da gestão da ex-prefeita Carmelita Ventura.

“Não é fácil mudar um habito cultural, principalmente quando falamos em datas. Nosso 15 de dezembro, foi publicado em Diário Oficial da época, foram essas informações que mim passaram no Fórum em Taperoá”, contou a professora Gracinha.

E história política tem continuidade, com seus personagens políticos: Apolônio Anastácio, Rivaldo Vilar, João Torres Vilar, Mariinha Almeida, Flavio Chaves, Enoch Alves, José Anastácio (Zé Papé), Jarbas Correia, Carmelita Ventura e Ernandes Barbosa (Nananda). Lembrando! Destes citados, alguns obtiveram dois mandatos, mudando apenas seus vice-prefeitos.  E ainda, contabilizamos uma série de vereadores.

Livramento cidade Maravilhosa!

Em uma conversa ligeira e sem arrodeios com o professor de História Fernando Araújo, destacamos a emancipação da cultura que em Livramento é enraizada, a princípio, numa cultura religiosa, muito em razão da nossa colonização portuguesa.

“A cultura religiosa se torna aliada à cultura popular, que por meio da fé, expressa sua musicalidade com talento e devoção. Se viermos mais no tempo, as danças se mostraram mais uma forma de mostrar talento, alegria e beleza. Bandas de música, marciais, poetas repentistas, quadrilhas juninas, grupos de dança folclórica e contemporânea são manifestações da cultura das mais diversas que nossa amada Livramento nos proporciona. Talentos temos aos montes. A cultura não pode parar”, acrescenta o professor Fernando.

Sabemos que não é fácil, colocar em uma página ou duas, 60 anos de história. Nesta visão, o professor Fernando, atribui esse legado que estamos contando graças a força da cultura.

“Ela se renova, mas não pode esquecer os passos que foram dados em tempos de outrora. Tradição não se tira. Ela anda junto com a modernidade, pois pra se fazer algo novo, tem que se beber numa fonte de água pura, e a nossa tradição cultural é um lago que deve ser consumido. Nossa arte cultural tem história, e tem que ser respeitada, lembrada e revigorada”, completou Fernando.

Chegamos à conclusão que não importa a data para comemorarmos, nossos avanços e percas. Parabéns Livramento! Afinal, são 60 anos de emancipação diária. 

Por: Marcos Lima, colaboração professores Fernando Araújo e Gracinha Brito