Parte importante da nossa elite ignora a fome, a miséria, olhando para o próprio umbigo.
Alinhada com as pautas mais retrógradas e que reduzem direitos de quem trabalha, contra férias, décimo terceiro, horas extras, apostaram no quanto pior, melhor na última eleição. A maioria esperavam a reeleição de Bolsonaro para concretização da pauta da semi escravidão.
Essa semana, o maranhense Marinaldo Soares Santos, 51, começou a trabalhar na roça com 10 anos. Desde então, dormiu em tecidos de lona, bebeu água destinada a animais com restos de fezes, e sofreu ameaças de empregadores.
Mesmo tendo sido resgatado três vezes por operações do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) e do MPT (Ministério Público do Trabalho), não imaginava que o seu trabalho se configurava como análogo à escravidão. “Achava que era normal, que estava passando por aquilo porque eu era pobre”.
Há muitos Marinaldos, inclusive no nosso estado e região. Gente invisível diante dos olhos das autoridades e da elite da sociedade, intencionalmente ignorada.
Para muitos da elite, o ideal seria de, tal qual como numa casa onde não se quer a sujeira à mostra, se joga o problema para baixo do tapete.
Padre Luiz Marques Ferreira, alinhado com a Igreja que reflete e luta a partir da palavra, discriminado ou combatido por alguns imbecilóides de plantão, falou um pouco desse comportamento ao analisar a Campanha da Fraternidade 2023, questionada por esses poucos e taxada de “comunista” porque pretende oferecer pão a quem tem fome.
“Se eu perguntar a um rico de Afogados, Tabira, Serra Talhada porque ele não partilha, ele vai dizer é porque é meu e faço o que eu quero. Jesus não era indiferente à fome. Mas você vê o rico se misturando com pobre? Não, ele fica no camarote para não ficar perto. Assim a nossa elite é a mesma do resto do país.”
E disse mais: “infelizmente a grande maioria tem dinheiro, mas não tem inteligência. Uma pessoa inteligente escuta a voz do bolso e a voz do coração. E ter as coisas seria oportunidade para acesso ao conhecimento. Teria que se preocupar em olhar o outro”.
Claro, Luizinho diz haver casos onde há caridade e apoio de quem tem mais. “Não quero emparedar os ricos. Mas o nosso rico foi formado como colonizador. Ele olha pra cima. O rico gera emprego, mas sem a mão de obra ele também não é rico. A fome é resultado da falta de formação da elite brasileira e isso se aplica às nossas cidades. Enquanto os ricos concentrarem o pode num mar de miseráveis, nada vai mudar”. O padre está certíssimo. Pior que essa parte da elite ignorante é atrasada, só o pobre neoliberal de direita.
Por: Nill Júnior, 19 março 2023









