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Coluna do Domingão: ‘A real bagunça de Bolsonaro’

Uma das notícias da semana foi a decisão da primeira-dama, Janja Lula da Silva, de mostrar o Palácio da Alvorada depenado, ou, na pior das hipóteses,  avariado e maltratado por Bolsonaro e sua trupe.

Ela mostrou os cômodos e as áreas privativas da residência oficial à jornalista Natuza Nery.

Danos em tapetes, sofás rasgados, infiltração nas paredes, janelas quebradas e obras de arte que não estão lá e que ainda não foram rastreadas para se saber onde estão fazem parte do levantamento inicial.

O estado geral do edifício, um dos mais icônicos de Brasília, não é bom e exige muitos reparos, o que vai atrasar a ida de Janja e Lula para morar no local.

Outra curiosidade é que o local estava trancado e não havia acesso a chave, como quem resiste a entregar o imóvel pata aquele inquilino que por lei tem que ocupá-lo.

Isso é puro suco do Brasil atual. O Alvorada é fichinha para os demais desafios. O maior deles, erradicar fome e pobreza que voltaram com força,  fruto da política genocida de Paulo Guedes, com a benção do ex-presidente.

São mais de 33,1 milhões de pessoas não têm garantido o que comer — o que representa 14 milhões de novos brasileiros em situação de fome. Enquanto isso, dos dez bancos que mais ganharam dinheiro no mundo, quatro são brasileiros.

Desmantelo mesmo é como ficaram as políticas públicas inclusivas. Bolsonaro acabou ou esvaziou programas como o de aquisição de alimentos (PAA), dificultou acesso à água no semiárido,  cortou programa de pipeiros, sucateou o SUS.  Não construiu uma nova universidade,  abandonou as atuais,  as crianças voltaram à bolacha com suco na merenda,  quis politizar o ENEM.

O que dizer dos esvaziamento da ciência e tecnologia,  entrou em confronto com a comunidade científica,  instrumentalizou politicamente as polícias para servi-lo e não ao Estado, protegeu milícias e milicianos, os filhos, aumentou acesso a armas favorecendo o crime organizado,  deixou passar a boiada na falta intencional de combate ao desmatamento nos biomas brasileiros.

Estrago foi a política de combate à Covid-19,  principalmente pelo mal exemplo, induzindo dezenas de milhares a tratamentos ineficazes, responsáveis por pelo menos metade das mortes no Brasil,  onde mais se morreu proporcionalmente da doença no mundo.

São esses prejuízos que mais importam à sociedade brasileira.  Apontar o dedos para os sofás,  cadeiras sujas e emporcalhadas, paredes riscadas, obras danificadas, tal qual costumamos chamar herança de mundiça,  pode e deve até impactar parte da sociedade.  Mas a falta de zelo no país que Bolsonaro e sua trupe deveriam cuidar é algo muito, mas muito pior. É essa sujeira que não pode ficar embaixo do tapete…

Por: Nill Júnior (8 de janeiro de 2023)